RESULTADOS DA MARCOPOLO NO 3T20 REFLETEM IMPACTO DA PANDEMIA

Produção cresce 46,6% no 3T20, em comparação com o 2T20, apesar da queda na comparação anual


Custos com rescisões e operações da canadense NFI Group Inc. afetaram resultados


Os resultados do 3T20 da Marcopolo refletem o impacto da pandemia de Covid-19 nas operações da empresa e apontam o início da recuperação do mercado de ônibus no Brasil, em comparação com o trimestre anterior. O volume de produção cresceu 46,6% em relação ao 2T20, quando a indústria se encontrava mais impactada pelas restrições sanitárias. No entanto, o volume caiu na comparação anual.


A produção consolidada da Marcopolo foi de 3.422 unidades no 3T20, sendo 3.064 unidades no Brasil – volume 7,1% inferior ao do 3T19. Já no exterior, a queda anual de produção foi 43,1%, com 358 unidades no trimestre. Por outro lado, a participação de mercado da companhia na produção brasileira de carrocerias aumentou de 48,8% no 3T19 para 55,7% no 3T20.


A receita líquida total alcançou R$ 836,5 milhões no 3T20, sendo R$ 480,4 milhões (57,4%) proveniente do mercado interno e R$ 356,1 milhões (42,6%) do mercado externo.


“No último trimestre, destacamos o desempenho dos micros, beneficiado pelo aumento de vendas ao programa Caminho da Escola. Considerando também os demais modelos, entregamos 2.534 veículos ao programa nos primeiros nove meses deste ano. O ritmo destas entregas deve permanecer forte até dezembro e as adesões dos municípios se encontram próximas ao limite das nossas 4.800 unidades no Caminho da Escola”, afirma José Antonio Valiati, diretor financeiro e de Relações com Investidores da Marcopolo.


“A demanda por ônibus rodoviários segue impactada pela queda no turismo, mas ensaia pequenos movimentos de recuperação, indicando que o pior já passou. Por outro lado, as atividades de fretamento vêm surpreendendo positivamente, com incremento de vendas frente a 2019, em função das exigências de maior distanciamento no transporte de funcionários. Isso abriu oportunidade para o aumento das nossas vendas de Volare, que também se destacou no último trimestre por conta de exportação para o Chile”, acrescenta Valiati.


O lucro bruto consolidado da Marcopolo atingiu R$ 136,7 milhões no 3T20, com margem de 16,3%, contra R$ 145,9 milhões, com margem de 13,5% no 3T19. O EBITDA foi negativo em R$ 23,8 milhões no 3T20 (margem de -2,8%), contra R$ 60,2 milhões (margem de 5,6%) no 3T19, afetado pelos custos relativos aos ajustes de pessoal e aos resultados das operações no exterior, especialmente advindos da operação canadense da NFI Group Inc. Estes fatores também contribuíram para o prejuízo líquido R$ 57,4 milhões (margem de -6,8%) no 3T20, contra um lucro de R$ 33,9 milhões (margem de 3,1%) no 3T19.


Biossegurança


As inovações da plataforma Marcopolo Biosafe vêm contribuindo para a segurança dos passageiros e a retomada do setor de transporte coletivo. No fim do 3T20, cerca de 85% das carrocerias produzidas pela companhia levavam ao menos um item da linha Biosafe – incluindo unidades produzidas ou enviadas ao mercado externo.


Câmbio favorece exportações


As exportações da Marcopolo seguem apresentando melhor desempenho na comparação com o mercado interno, em função da desvalorização cambial. A redução do volume de exportações, como reflexo da pandemia, é compensada pela maior receita e rentabilidade das operações, devido ao atual patamar do câmbio.


“Gradativamente, as operações de transporte coletivo na América do Sul voltam a circular, com reflexos positivos nas vendas ao Chile, Argentina e Peru. As entregas ao mercado africano permanecem sendo importantes também no 4T20 e 1T21”, observa o diretor da companhia.


Por sua vez, os resultados da Marcopolo Austrália foram afetados negativamente pela segunda onda da pandemia ao país, o que gerou postergação de entregas para o 4T20. Marcopolo México, Marcopolo China e Marcopolo África do Sul sofreram com uma menor demanda em seus respectivos mercados, com perspectivas de recuperação a partir de 2021.


“Continuamos trabalhando junto aos nossos clientes para que esta crise seja superada brevemente. A Marcopolo do futuro evolui independentemente dos percalços do curto prazo, perseguindo uma visão de mobilidade crescente e eficiente para um mundo que deseja voltar a viajar”, conclui Valiati.


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